12/04/2012

Trajeto de Santa Cruz a Cochabamba

O lema de nossa viagem nasceu depois da primeira sinalização de beira de estrada indicando uma “zona geologicamente instável”. São 456 km de asfalto de Santa Cruz a terceira maior cidade da Bolívia, Cochabamba; demoramos 8h para realizar uma subida de 2500m, estrada repleta de rios e comunidades ribeirinhas pobres, mas de uma riqueza cultural incalculável. Esta parte da viagem é a porta de entrada aos Andes Bolivianos e a estrada tem paredes montanhosas elevadas, que em partes vão soltando pedras no meio do caminho, e após nos depararmos com alguns cruzamentos pedregosos, caminhões quebrados e abismos infinitos nasceu o lema “está viagem deve ficar na história e não ser o fim de nossa história”. Nesse momento imaginávamos que aqueles penhascos e subidas eram o “Toddy”, mas mal sabíamos que tinha “Ovomaltine” mais a frente.

Durante o segundo trecho de nossa viagem atravessando quatro estados do país começamos a observar os contrastes culturais, etnográficos e econômicos da Bolívia. Santa Cruz tem um povo bem comunicativo, ocidentalizado e com pessoas orgulhosas de suas raízes espanholas e sua economia agroindustrial a base de soja, pecuária e hidrocarbonetos.

A fronteira entre Cochabamba e Santa Cruz é dividida por um rio próximo a comunidade de Bulo-Bulo, onde um militar das Forças Especiais de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN) nos informou que a ponte, que recentemente havíamos cruzado, dividia os dois estados. A partir daí começamos a subir e a perceber a ubiquidade do Presidente Boliviano Evo Morales, onde sua imagem aparece incontáveis vezes a beira da estrada; sempre vestindo uma roupa diferente, ilustrando a sua imagem de médico salvador da saúde, de engenheiro construtor de rodovias, ou de legislador, democratizando a justiça do Estado Plurinacional Boliviano.

Foi no Chapare, região produtora de coca, a 150 km de Cochabamba, e base sindical do Evo, onde observamos pela primeira vez barracas vendendo a folha da coca, a qual seus atributos químicos ajudam os nativos a suportar a pesada rotina em grandes altitudes. Aqui conhecemos um povo orgulhoso de suas raízes indígenas, de sua cultura cocalera e suas montanhas.

Cochabamba é uma cidade linda, cheia de praças com fontes d’água iluminadas, restaurantes e bares delicadamente enfeitados e com pratos típicos como pique-macho especial a base de carne e queijo assado, batata frita, pimentões, tripas e ubres, sentimo-nos no Brasil, mas com temperos apimentados bolivianos. Foi aqui que provamos pela primeira vez a Taquinha, mas que ainda não se compara a Paceña. No outro dia antes de partir a Oruro tentamos visitar a fundação Simon Patiño, que a tempos atrás foi considerado o homem mais rico da américa latina através da mineração de estanho e serviu como fonte de inspiração à Disney para a criação do personagem Tio Patinhas.

O museu do Tio Patinhas fechado, a estrada à Oruro bloqueada por protestos de sindicalistas do transporte público, e a iminente falência da empresa Aerosur (companhia a qual Ricardo usa para voltar na segunda-feira), indicava nosso iminente retorno a Santa Cruz e o final de nossa viagem. Sem ter muito a fazer a não ser esperar, ligamos para o terminal rodoviário da cidade onde fomos informados, as 14h30, que os protestos pararam e as rotas foram normalizadas... partimos à cidade mineira de Oruro.

SCZ - CBA

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