21/04/2012

Fotos de Minha Viagem

 Já passei por cinco dos nove estados bolivianos, estou com 3000km rodados no meu Fiat Uno por estradas de asfalto, ripio e terra, já subi e desci montanhas, entrei em minas de ouro, prata e estanho, visitei museus e aprendi muito sobre a história e o povo deste país fantástico... mas ainda faltam dois estados, e mais 3000km. Amanhã parto para Tarija, capital do vinho boliviano. Dentro desse trajeto tenho que passar pelo trecho mais perigoso da minha viagem, entre os municípios de Iscayachi e San Lorenzo, uma subida de 2500 metros em estrada de chão.

La Paz
Tiwanaku
Isla del Sol
Copacabana
Potosi

12/04/2012

Trajeto de Santa Cruz a Cochabamba

O lema de nossa viagem nasceu depois da primeira sinalização de beira de estrada indicando uma “zona geologicamente instável”. São 456 km de asfalto de Santa Cruz a terceira maior cidade da Bolívia, Cochabamba; demoramos 8h para realizar uma subida de 2500m, estrada repleta de rios e comunidades ribeirinhas pobres, mas de uma riqueza cultural incalculável. Esta parte da viagem é a porta de entrada aos Andes Bolivianos e a estrada tem paredes montanhosas elevadas, que em partes vão soltando pedras no meio do caminho, e após nos depararmos com alguns cruzamentos pedregosos, caminhões quebrados e abismos infinitos nasceu o lema “está viagem deve ficar na história e não ser o fim de nossa história”. Nesse momento imaginávamos que aqueles penhascos e subidas eram o “Toddy”, mas mal sabíamos que tinha “Ovomaltine” mais a frente.

Durante o segundo trecho de nossa viagem atravessando quatro estados do país começamos a observar os contrastes culturais, etnográficos e econômicos da Bolívia. Santa Cruz tem um povo bem comunicativo, ocidentalizado e com pessoas orgulhosas de suas raízes espanholas e sua economia agroindustrial a base de soja, pecuária e hidrocarbonetos.

A fronteira entre Cochabamba e Santa Cruz é dividida por um rio próximo a comunidade de Bulo-Bulo, onde um militar das Forças Especiais de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN) nos informou que a ponte, que recentemente havíamos cruzado, dividia os dois estados. A partir daí começamos a subir e a perceber a ubiquidade do Presidente Boliviano Evo Morales, onde sua imagem aparece incontáveis vezes a beira da estrada; sempre vestindo uma roupa diferente, ilustrando a sua imagem de médico salvador da saúde, de engenheiro construtor de rodovias, ou de legislador, democratizando a justiça do Estado Plurinacional Boliviano.

Foi no Chapare, região produtora de coca, a 150 km de Cochabamba, e base sindical do Evo, onde observamos pela primeira vez barracas vendendo a folha da coca, a qual seus atributos químicos ajudam os nativos a suportar a pesada rotina em grandes altitudes. Aqui conhecemos um povo orgulhoso de suas raízes indígenas, de sua cultura cocalera e suas montanhas.

Cochabamba é uma cidade linda, cheia de praças com fontes d’água iluminadas, restaurantes e bares delicadamente enfeitados e com pratos típicos como pique-macho especial a base de carne e queijo assado, batata frita, pimentões, tripas e ubres, sentimo-nos no Brasil, mas com temperos apimentados bolivianos. Foi aqui que provamos pela primeira vez a Taquinha, mas que ainda não se compara a Paceña. No outro dia antes de partir a Oruro tentamos visitar a fundação Simon Patiño, que a tempos atrás foi considerado o homem mais rico da américa latina através da mineração de estanho e serviu como fonte de inspiração à Disney para a criação do personagem Tio Patinhas.

O museu do Tio Patinhas fechado, a estrada à Oruro bloqueada por protestos de sindicalistas do transporte público, e a iminente falência da empresa Aerosur (companhia a qual Ricardo usa para voltar na segunda-feira), indicava nosso iminente retorno a Santa Cruz e o final de nossa viagem. Sem ter muito a fazer a não ser esperar, ligamos para o terminal rodoviário da cidade onde fomos informados, as 14h30, que os protestos pararam e as rotas foram normalizadas... partimos à cidade mineira de Oruro.

SCZ - CBA

09/04/2012

Cuiabá à Santa Cruz de la Sierra

Este mundo não foi construído a base de escolas, universidades nem instituições político administrativas e sim a base das mais peculiares bebidas alcoólicas; Chile e Peru com seu pisco, Bolívia sua chicha, singani e Paceña e o Brasil hoje, com seu whisky e energético e cervejas palito. Quantas obras de arte, empresas e até guerras não foram construídas após rodas de prosa como as que idealizou a aventura que estamos vivendo hoje o Ricardo e eu? Esta viagem que atravessa a Bolívia de este a oeste começou como uma ideia no aniversário de nosso amigo em comum Marcos Carmo e se concretizou na quinta-feira Santa de 2012.

A primeira etapa de nossa viagem vai de Cuiabá a Santa Cruz de la Sierra com nossa primeira parada em Cáceres onde jantamos pera-putangas assadas com minha abuelita (avó). No outro dia partimos a San Matias onde em plena sexta-feira santa conhecemos um simpático aduaneiro (oficial de alfândega) chamado Marcelo, que sua diligência burocrática nos fez ir e vir de migração à aduana atrás dos documentos necessários para entrar no país. Após a trabalhosa liberação Ricardo achou por bem dar ao Marcelo uma latinha de bolacha que tínhamos no portamala, ele mal sabia que dentro da oficina, a portas fechadas, eu já tinha realizado nosso primeiro suborno de R$ 100.

Logo após a liberação de entrada a Bolívia, almocei um majadito de charque e Ricardo uma perna de frango frita, mas que muito provavelmente era de ema pela magnitude de seu tamanho. Em San Matias abastecemos o carro com gasolina, cerveja coca-cola e duas garrafinhas de água que nunca bebemos e partimos para San Ignácio, para cumprir a mais árdua etapa de nosso trajeto, 310km de terra, buracos e de vez em quando uma vaquinha.

Em San Ignácio de Velasco conhecemos a cômica figura de Don Bardelian, senhor de 81 anos, orgulhoso descendente de espanhol e conhecido de vista do Príncipe de Astúrias, que graças a seus fortes contatos, nos ajudou a abastecer o carro em uma racionalizada região da Bolívia. Após uma confortável noite de sono em um hotel de B$ 250 (R$71) vivenciamos, pela primeira vez o estilo da culinária boliviana; onde em um mercado popular, seguimos as sugestões de Don Bardelian e comemos como café da manhã bucho e mandioca frita e uma patasca (sopa de cérebro de vaca com língua assada).

Partimos para Santa Cruz de la Sierra, 385km de muitos contrastes, montanhas, gado, deserto, chão e pela primeira vez asfalto, região com uma bela tradição chiquitana. Nesse intervalo conhecemos Concepción onde almoçamos pato, fraldinha assada e o tradicional arroz com queijo. A nossa segunda e última parada antes de Santa Cruz foi em San Javier onde cumprimentamos amigos de infância e visitamos uma decadente feira agropecuária, com duas vacas girolanda, um boi angus e um queijo de 1200kg.

Após oito horas de viagem nos deparamos com o caótico trânsito de Santa Cruz de la Sierra e com muito esforço, finalmente chegamos a casa de papai e mamãe... beijos, beijos e muitos abraços. Estamos em Santa Cruz e segundo o combinado amanha estaremos em Los Andes Bolivianos, Cochabamba e Oruro a minha cidade natal.




25/03/2011

Maturity

In the past few months I have been told that I look 35 some even said 40, this is something that has made me very sad, considering that I am only 28. So I confessed this anguished feeling to a friend while at dinner. Hoping to cheer me up, she made a very interesting comparison between me and a common friend, that lead me to question the actual meaning of maturity. She said that “although I have the same age as our friend, I seem much older; but this isn’t a question of physical appearance, but how you project yourself to others and your projection is of an older, perhaps more mature person”. Based on this I had a little epiphany that I would like to share with you.

When I was 20 years old I visited Japan and as any normal tourist would do, I visited dozens of temples and saw innumerable images of Buddha. But only recently I learnt that in all those images he is sitting on a blooming lotus flower. From what I understand the lotus is a representation of enlightenment, and to meditate on a blossomed lotus brings harmony into all aspects of our being. This little piece of information had a strong impact on my appreciation of Buddha and the lotus flower. But I only learnt this after eight years of my first contact with the image.

Our lack of knowledge, understanding and experience blurs our road to profound happiness. Something that we are able to achieve only after we can appreciate life’s simple pleasures. I guess the actual meaning of maturity is when we, as the lotus flowers, blossom at the delicate touches of the sun rays. But better than me to explain this is Haruki Murakami; in the introduction of his book Norwegian wood he exemplified this feeling beautifully. He tells us that when he returned to Germany for the first time after 20 years he could remember vividly a stroll he had with Naoko over a meadow. He was surprised at himself for remembering so many details of the stroll, but he only realized the importance of the event 20 years later.

I guess this brings me to the second level of maturity, perhaps the most difficult to achieve: recovering from the painful regrets of our past actions and inactions and to use those regrets as stepping stones in our search for true and profound happiness. I personally; deeply regret avoiding small moments of happiness I could have had with Mika, mainly because...

to be continued.